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Fertilizantes em 2026: Ormuz, preços altos e um Brasil que importa menos

Mercados

O Brasil importou 15,6% menos fertilizantes até setembro. A ureia continua cara e o enxofre triplica de preço com a crise de Ormuz.

O conflito no Oriente Médio envolvendo o Irã marcou o mercado mundial de fertilizantes em 2026. O estreito de Ormuz tornou-se o principal risco logístico do ano. Segundo dados citados pela consultoria Czarnikow, por ali passam cerca de 30% da ureia comercializada no mundo e 44% do enxofre utilizado pela indústria de fosfatados.

Preços: pico na primavera, alívio parcial

Em meados de março, os contratos futuros de ureia com entrega no Brasil eram cotados a 690 dólares por tonelada, e em 8 de abril chegaram a 757,5 dólares. No mesmo mês, segundo a Argus, a ureia granulada do Oriente Médio atingiu um máximo próximo de 780 dólares FOB. O cessar-fogo anunciado em 7 de abril não dissipou a incerteza. O Banco Mundial registrou uma alta de 12% nos preços dos fertilizantes no primeiro trimestre, chegando aos níveis mais altos desde 2022.

No fim de outubro, a ureia granulada era cotada a cerca de 477 dólares CFR Brasil, segundo a Argus. O preço caiu desde o pico, mas o tráfego por Ormuz continua restrito. A Argus estima cerca de 390.000 toneladas de ureia granulada não iraniana retidas dentro do Golfo, e o seguro contra risco de guerra encareceu muito.

O Brasil compra menos

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil importou 28,47 milhões de toneladas de fertilizantes entre janeiro e setembro de 2026, contra 33,73 milhões no mesmo período de 2025, uma queda de aproximadamente 15,6%. Setembro fechou com recuo interanual próximo de 28% e foi o sexto mês consecutivo de queda.

O relatório Agro Mensal do Itaú BBA de outubro detalha o comportamento por produto:

  • Ureia: 3,5 milhões de toneladas importadas, 21,5% a menos, com preços de 470 a 485 dólares CFR no fechamento de setembro.
  • Cloreto de potássio: 10,8 milhões de toneladas, 3,6% a menos. Seu preço caiu de 375 para 355 dólares porque a oferta internacional está folgada.
  • MAP: cerca de 830 dólares por tonelada CFR.
  • Enxofre: 1.161 dólares por tonelada em setembro, mais que o triplo de um ano antes, o que encarece a produção de fosfatados.

O Brent manteve-se acima de 100 dólares durante quase todo o período, o que encareceu o frete marítimo.

Uma dependência estrutural

O Brasil importou um recorde de cerca de 45,5 milhões de toneladas em 2025. Segundo a CNA, as importações cobriram 93% dos fertilizantes utilizados no país. China (26%) e Rússia (25%) foram seus principais fornecedores. Aos riscos do Golfo somam-se as restrições chinesas à exportação e a suspensão temporária das exportações russas de nitrato de amônio em abril. O chanceler brasileiro Mauro Vieira incluiu os fertilizantes em suas agendas com a China e a Ásia Central para diversificar fornecedores.

Por ora, os analistas não veem risco de desabastecimento, porque os estoques compensam a menor chegada de produto. No entanto, alertam que ainda é cedo para medir o efeito sobre as compras da safra 2026/27.

Leitura para o setor

Este ano mostrou quanto pode custar depender de rotas marítimas longas e de estreitos estratégicos. As matérias-primas extraídas dentro do MERCOSUL e transportadas por terra ou pela hidrovia reduzem a exposição a esses gargalos, embora não substituam os grandes volumes de nitrogênio, fósforo e potássio.

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