Segundo a Secex, o Brasil importou em outubro uma média de 186,2 mil t por dia de fertilizantes, acima de setembro, mas 10,3% abaixo de 2025.
As importações brasileiras de fertilizantes ganharam ritmo em outubro, depois de agosto e setembro especialmente fracos. Ainda assim, os dados oficiais não permitem falar em uma tendência consolidada. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), nos primeiros 16 dias úteis do mês o Brasil importou cerca de 2,98 milhões de toneladas, com média diária de aproximadamente 186,2 mil toneladas. O número supera com folga a média de setembro (147,9 mil toneladas por dia), mas fica 10,3% abaixo de outubro de 2025.
Um ano de compras mais contidas
A retomada vem depois de nove meses de volumes menores. Entre janeiro e setembro, o Brasil importou cerca de 28,47 milhões de toneladas, contra 33,73 milhões no mesmo período de 2025: aproximadamente 5,26 milhões de toneladas a menos, uma queda próxima de 15,6%. Setembro foi especialmente fraco, com 3,10 milhões de toneladas (−27,9% na comparação anual) e preço médio de US$ 378,89 por tonelada, 5,3% acima de um ano antes.
Por produto, a consultoria StoneX estimava, até setembro, quedas acumuladas de 15% no MAP, 24% no superfosfato simples, 21% na ureia, 32% no nitrato de amônio e 18,5% no sulfato de amônio.
Preços estáveis e dúvidas sobre a demanda
Em outubro, o preço médio dos fertilizantes importados está praticamente igual ao de 2025 (+0,2%), enquanto o gasto diário cai 10,1%. As fontes concordam que ainda não está claro se o menor volume reflete compras adiadas ou uma redução real da demanda. Em meados do mês, a StoneX apontava a necessidade de recompor estoques antes do milho safrinha de 2027, que pesa principalmente na demanda por nitrogenados. Até setembro, os agentes de mercado não viam risco de desabastecimento, já que os estoques compensavam a chegada mais lenta de navios.
A logística aponta na mesma direção. Segundo a agência marítima Williams Brasil, no início de outubro havia importações programadas de 6,2 milhões de toneladas, entre navios fundeados, aguardando atracação ou com chegada prevista até 24 de dezembro. Santos (2,21 milhões de toneladas) e Paranaguá (0,97 milhão) eram os principais portos de destino.
Os dados de outubro ainda são parciais. O fechamento mensal da Secex, previsto para o início de novembro, vai confirmar se a diferença em relação a 2025 continua diminuindo.
O que isso significa para o setor
Para os fabricantes de fertilizantes do MERCOSUL, o cenário combina um produtor cauteloso nas compras com uma dependência estrutural de nutrientes importados. Nesse contexto, os produtos que melhoram a eficiência de uso dos fertilizantes convencionais, entre eles as formulações líquidas à base de ácidos húmicos e fúlvicos, têm um argumento técnico e econômico claro. Além disso, contar com matéria-prima próxima, dentro do bloco, ajuda você a encurtar prazos e reduzir riscos logísticos no planejamento da safra.
Fontes
- Portal do Agronegócio (27/10/2026): Importações de fertilizantes ganham ritmo em outubro, mas seguem 10,3% abaixo de 2025
- Portal do Agronegócio (14/10/2026): Importações de fertilizantes aceleram 31% em outubro, mas seguem abaixo de 2025
- Portal PaNoRaMa (07/10/2026): Brasil importa 5,2 milhões de toneladas de fertilizantes a menos em 2026
- SAFRAS & Mercado (14/10/2026): Line-up aponta importação de 6,199 milhões de toneladas de fertilizantes em outubro




