A América Latina é a primeira região do mundo em bioestimulantes. Europa e Brasil definem regras mais claras sobre alegações, composição e registro.
O mercado mundial de bioestimulantes atingiu US$ 4,47 bilhões, segundo o relatório 2025 da consultoria DunhamTrimmer. A consultoria prevê um crescimento anual composto de 9,9% até 2030. É a primeira vez que a projeção fica abaixo de dois dígitos, embora o mercado continue somando mais de US$ 500 milhões por ano.
América Latina na liderança
Segundo o mesmo estudo, a América Latina é a região líder do mundo tanto em valor quanto em crescimento, e o Brasil concentra metade de sua receita. Os ácidos húmicos e fúlvicos continuam relevantes, sobretudo em áreas irrigadas. Os dados da CropLife Brasil confirmam a tendência nos biológicos: R$ 1,82 bilhão no primeiro semestre de 2026, 9,6% a mais que um ano antes, com área tratada 18,3% maior.
A maturidade do mercado também traz pressão. Uma análise publicada em abril de 2026 pela Agrolatam aponta que algumas categorias tradicionais, como as substâncias húmicas, os extratos de algas e os aminoácidos, se comoditizaram. Segundo essa análise, a variabilidade de resultados entre produtos corrói a confiança do produtor, e a fragmentação regulatória na região continua sendo um obstáculo.
Europa: o Regulamento (UE) 2019/1009
O Regulamento europeu de produtos fertilizantes é aplicado desde 16 de julho de 2022 e é a principal referência internacional do setor:
- Define o bioestimulante por sua função: estimula os processos nutricionais da planta independentemente dos nutrientes que contém.
- Organiza os produtos em categorias funcionais (PFC), entre elas adubos, corretivos, condicionadores e bioestimulantes, e em categorias de materiais componentes (CMC).
- Oferece duas vias de acesso: a harmonizada, com marcação CE válida em todo o mercado único, e a nacional, com reconhecimento mútuo entre os Estados-membros.
- Exige avaliação da conformidade. As categorias de maior risco requerem a intervenção de um organismo notificado.
Brasil: um marco em transição
No Brasil, os produtos orgânicos e biológicos para nutrição vegetal estão mudando de regime. Os biofertilizantes continuam sob a Instrução Normativa 61/2020. Segundo a imprensa brasileira, a minuta de decreto da Lei dos Bioinsumos, ainda pendente de publicação, levaria inoculantes e biofertilizantes para esse novo marco e criaria uma categoria «biomineral». O Decreto 12.858/2026 já ampliou para 10 anos a validade dos registros de fertilizantes.
O que isso significa para os fabricantes
A tendência regulatória aponta para alegações respaldadas por ensaios, composição constante e rastreabilidade da matéria-prima. Para os fabricantes de húmicos líquidos, isso se traduz em:
- matérias-primas com análises completas e reprodutíveis de carbono orgânico, ácidos húmicos e fúlvicos e metais pesados;
- documentação que permita sustentar as alegações do rótulo perante as autoridades;
- fornecedores capazes de garantir uma qualidade estável de um lote para outro.
A leonardita é uma das fontes clássicas de substâncias húmicas. A existência de uma fonte dentro do MERCOSUL permite aos formuladores regionais auditar a origem de sua matéria-prima com mais facilidade do que se a importassem de outro continente.
Fontes
- AgFunderNews: Signs of maturity for biostimulants as market hits $4.47bn (DunhamTrimmer)
- Agrolatam: Biostimulants reshape Latin America as evidence and regulation redefine global markets
- Eurofins: Placing a biostimulant on the European market
- Maven RS: EU Fertilising Products Regulation, biostimulants guide




